Extraído da Revista
Ciência Hoje das Crianças, no. 124
"Cuidado quando
você atravessar a rua!";"Olha o carro!";"Obedeça
o sinal!" Com certeza, você já ouviu alguma
dessas frases! Afianl, desde pequenos, aprendemos com a
nossa família que o trânsito é perigoso.
No início prestamos atenção. No entanto,
na medida em que crescemos, vamos nos acostumando com os
perigos. Então, nos descuidamos e ... passamos por
alguma situação de risco ou até sofremos
um acidente. É, não podemos ficar desatentos.
No entanto, também não devemos considerar
normal a violência no trânsito. Temos de abrir
espaço, no vaivém de carros, pedestre, ciclistas
ou motociclistas, para a paz e a solidariedade!
Quando vamos sair de casa,
precisamos sempre lembrar de tudo o que aprendemos sobre
o trânsito, porque ele é mesmo perigoso! Grande
número de crianças e adolescentes morre ou
fica com algum deficiência física porque se
envolve em acidentes com carros, ônibus, motos ou
outros veículos. Para você ter uma idéia,
no Brasil, morrem mais crianças e adolescente por
causa do trânsito do que devido a qualquer doença.
Essa tragédia acontece
todos os dias. Em 1998, a cada cinco horas, morreram três
crianças ou adolescentes por causa da violência
no trânsito. Cerca de 50 ficaram feridos. No mesmo
ano, também a cada cinco horas, 15 adultos foram
mortos por acidentes de trânsito e 200 machucaram-se.
Os dados são do Departamento Nacional de Trânsito
e do Sistema de Informações sobre Mortalidade,
do Departamento de Informática do Sistema Único
de Saúde.
Quem são os responsáveis
por tantos acidentes? Todos nós! Veja só:
pedi a cerca de 400 alunos de escola do Rio de Janeiro que
escrevessem uma redação para contar suas experiências
no trânsito. A maioria disse que já tinha enfrentado
perigos ou mesmo se envolvido em acidentes. Essas crianças
e esse adolescentes afirmaram que quem provocou a maior
parte das situações de risco foram os motoristas.
Mas reconheceram que todas as pessoas - ciclistas, pedestres,
passageiros - podem contribuir para causar um acidente de
trânsito. E, portanto, também são capazes
de evitá-los.
Aliás, pensa que
meninos e meninas culparam o azar ou o acaso pelos sustos
qupassaram no trânsito? Que nada! Eles admitiram que
os acidentes poderiam ser evitados. Disseram que grande
parte deles não teria acontecido se tivessem verificado
o freio da bicicleta, usado o cinto de segurança
e brincado no quintal e nào na rua, por exemplo.
E também se os motoristas tivessem obedecido ao limite
de velocidade, respeitando os pedestre ou os sinais de trânsito.
As crianças e os
adolescentes apontaram a falta de cautela, a imprudência
e as atitudes agressivas - não só dos motoristas,
mas de todas as pessoas - como as principais causas de acidentes.
Por causa disso, exigiram, em seus textos, que as pessoas
mudem de atitude no trânsito: sejam mais solidárias
e empenhadas em torná-lo mais pacífico.
Trabalho em equipe
Muitas pessoas, no trânsito,
pensam apenas em si mesmas. Mas, na rua, precisamos ser
solidários e nos preocupar com a segurança
de outras pessoas também. A paz no trânsito
somente é possível quando trabalhamos em equipe!
Como isso pode ser feito? Para aprender, basta comparar
o trânsito com uma partida de futebol.
Antes de cada partida, os
jogadores concentram-se para entrar em campo. Ao sair à
rua, os motoristas, os pedestres, os ciclistas, as crianças
e os adoslecentes precisam relembrar que o trânsito
é perigoso e que não podem deixar de tomar
cuidado. Além disso, devem ter em mente que agir
de maneira pacífica e se preocupar com a segurança
e os direitos das outras pessoas é dever de todos.
O objetivo do futebol é
o gol. No trânsito, a meta é chegar onde queremos,
sem faltas, infrações ou acidentes. E a calma
e a consideração com as pessoas são
jogadas de mestre!
No futebol, há goleiros,
atacantes, laterais, treinadores, juizes e torcidas. No
trânsito, há pedestres, ciclistas, motoristas,
professores, guardas e as pessoas que nos esperam para comemorar
a nossa chegada - o gol!
Um bom time é aquele
que joga em equipe, não comete faltas e respeita
todas as pessoas que estão em campo: o juiz, os jogadores,
a torcida. Um trânsito seguro é aquele em que
todos cumpram as regras e respeitam uns aos outros.
Apesar de terem tanto em
comum, o trânsito e o futebol apresentam uma diferença
fundamental: no trânsito, todos devem ser vencedores.
Entretanto, há pessoas que preferem ser perdedoras.
Existem motoristas que gostam de andar em alta velocidade,
dirigem com imprudência, avançam sinais vermelhos.
Alguns pedestres não atravessam a rua com cautela,
sobem no ônibus em movimento. Eles formam a equipe
que nunca ganha. Pena que esses "jogadores" não
deixam apenas de conquistar partidas, campeonatos nacionais
ou copas do mundo. Eles perdem algo mais precioso - a própria
vida - ou colocam em risco a vida de outras pessoas.

O papel de cada um
Como você pode perceber,
no trânsito existem muitas regras, como obedecer ao
sinal vermelho, respeitar o limite de velocidade, usar o
cinto de segurança e dirigir apenas quando tiver
mais de 18 anos e carteira de motorista (leia Ao volante).
Cada uma dessas normas tem como principal objetivo preservar
a vida. Entretanto, há quem pense que as leis de
trânsito foram feitas apenas para punir e obedecemn
a elas somente para não serem multados.
A segurança no trânsito
depende de cada um de nós. Todos somos responsáveis
pelos acidentes e susa consequencias. Portanto, precisamos
nos esforçar para tornar o trânsito mais seguro,
obedecendo às leis de trânsito. Não
porque vamos ser punidos, mas porque disso depende a sobrevivência
de motoristas, ciclistas e pedestres.
Você ainda não
dirige, mas também pode ajudar. Passe adiante o que
sabe sobre como prevenir acidentes de trânsito. Fique
de olho no que seu pai, sua mãe ou seu irmão
mais velho faz ao volante e dê um puxão de
orelha sempre que eles infringirem alguma regra. E nunca
esqueça o que você aprendeu sobre o trânsito.
Assim, você evita acidentes, preserva a sua vida e
a de muitas outras pessoas, além de colaborar para
um trânsito mais solidário.
Eloir de Oliveira Faria
Programa de Engenharia de Transportes,
Coordenação de Programa de Pós-graduação
em Engenharia
UFRJ